As fábulas, no final, têm sempre uma moralidade e um ensinamento que passa de geração em geração.
Em pleno século XXI, em que o dinheiro é a medida de todas as coisas e as pessoas só pensam na crise que o país está a atravessar, ninguém se lembra das regalias que os nossos avós, detentores de um vasto património oral, nos podem transmitir.
Para que ninguém se esqueça, o 6.º E reescreveu esta fábula intitulada “O rato e a arca”.
Era uma vez um rato. Era uma vez uma arca cheia de trigo. Para o rato aquela arca e o que ela continha equivaliam a um tesouro. E ele com tanta fome! Aproximou-se e a arca fechada a cadeado, disse-lhe:
– Não tentes!
Mas o rato tentou. Tentou-se.
Roeu a madeira dura de carvalho. Roeu, dias a fio. E a arca, sempre:
– Não tentes!
O rato que já não podia ouvi-la, perguntou-lhe:
– Por que razão estás constantemente a desmoralizar o meu trabalho e a minha vontade de chegar ao que tens dentro?
A arca, prontamente, respondeu:
– Porque serei a tua prisão.
O rato não ligou. A cuspinhar serradura, foi alargando o buraco, um pouco, um poucochinho. Tão resistente a madeira e ele com tanta larica!
Até que conseguiu abrir uma fenda, por onde enfiou o corpo magricela.
Lá dentro, ah! lá dentro, que festa! Comeu até que se fartou. Tirou a barriga de misérias. Refastelado, cansado do banquete, dispôs-se a sair. Mas como o faria, se não cabia? Tinha engordado. Estava um batoque, contudo o buraco por onde entrara continuava igual.
– Tudo se resolve – disse o rato. – Vou emagrecer. E continuarei a roer, até conseguir sair.
Mas não era fácil resistir à tentação do trigo que o rodeava. Roía um bocadinho. Descansava. E comia um bocado.
O trabalho, a que já não estava habituado, abria-lhe o apetite. Comer era, agora, tão fácil…
Por aquele andar, nunca conseguiria ficar mais magro.
Foi então que o rato percebeu a ameaça da arca: “Serei a tua prisão!”. Já era tarde para voltar atrás.
“Não importa! – dizia o rato de si para si. – Este trigo com que enchi o bandulho já ninguém mo tira.”
Mas, no fundo, no fundo, o rato, rodeado de abundância, sentia-se triste e prisioneiro da riqueza que conquistara.
Desta fábula podemos concluir que a ambição desmedida é o pior dos males, porque nos deixa prisioneiros e escravos dos bens materiais.
Turma E do 6.º Ano

