Lágrima de preta

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho

Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.

 

Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.

 

Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.

 

Mandei vir os ácidos,

as bases, os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.

 

Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:

 

nem sinais de negro

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.

 

António Gedeão

Duarte Mendes canta esse poema:

 

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